Certidão de Nascimento
Certidão de Nascimento
Ricardo Alves da Silva
O momento imediatamente anterior à pré-estreia do filme “As Mães de Chico Xavier”, no dia 24/03/2011 em Natal/RN, foi reservado a algumas palavras da equipe responsável por sua produção.
Entre estes estava Marcel Souto Maior, jornalista outrora cético, autor do livro “Por trás do véu de Ísis”, uma das fontes do filme.
Em seu rápido depoimento, foi explicado que o presente filme retrata o Chico Xavier que ele mais admira: o homem simples que usou os recursos que possuía para consolar os que sofrem.
Em cada carta consoladora que a mediunidade do mineiro permitia, ele via uma nova certidão de nascimento emitida. E, naturalmente, muita emoção aflorava naqueles que presenciavam a realidade do mundo espiritual patenteada à sua frente.
O sentido de nascer de novo que a figura da certidão de nascimento lembra foi muito bem trabalhada por Allan Kardec no capítulo IV de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, sob o título “Ninguém Poderá ver o Reino de Deus se não Nascer de Novo”, desenvolvendo os princípios reencarnacionistas como conhecimento já existente e aceito na passagem carnal de Jesus de Nazaré em nosso planeta e que a Doutrina Espírita desde o século XIX nos reapresenta com argumentos adequados aos tempos atuais.
A exibição do filme nos despertou para outros renascimentos que, ainda em vida, presenciamos. A partir das circunstâncias diversas surgidas em nossa existência, das mais agradáveis às mais dolorosas, somos convidados a refletir e vivenciar emoções novas, fortes, desconhecidas, inspiradoras ou momentaneamente desesperadoras.
De qualquer forma, assim surpreendidos, não somos mais a mesma pessoa de antes. Algo novo nasce no íntimo daquele que não é indiferente ao seu entorno, que está disposto a se relacionar com as emoções do próximo como com as suas também.
Se o Espiritismo nos apresenta que as encarnações sucessivas, em essência, representam um permanente processo de aprendizado para o Espírito imortal, mecanismo concorde com um Deus infinitamente justo e bom, é na vivência das experiências cotidianas que este aprendizado se concretiza; ao contato com o próximo somos defrontados com nossa própria realidade imatura e egoísta, ainda distante do que alimentamos e divulgamos como nossos próprios valores. É verdade que também permitimos alguns rompantes de altruísmo, de desprendimento, de querer bem ao próximo, uma vez que algo da vontade de Deus, por mais simples que seja, já desponta em muitos de nós.
Um dos méritos do filme é revelar a possibilidade permanente de nascermos de novo, ainda em vida, inspirados pela certeza da imortalidade daqueles a quem amamos, de nós mesmos, de todos à nossa volta.
Vivamos com alegria cristã, conforme a Doutrina Espírita nos permite compreender, cada certidão de nascimento emitida em nosso benefício!
Natal/RN, 25/03/2011
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