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Movimento Espírita
Na Alemanha

 

O Dr. Kerner, uma das celebridades da Alemanha, contemporânea, foi levado a constatar fenômenos espíritas, em 1840, ao ministrar seus cuidados à Sr.a Hauffe, mais conhecida sob o nome de Vidente de Prévorst, denominação de uma aldeia de Wurtemberg, onde ela nasceu, no princípio do século XIX.

O doutor conta que ela era, muitas vezes, atormentada por aparições de fantasmas, as quais ele não podia considerar como alucinações, porque pessoas que estavam presentes ouviam, tanto quanto ela, as pancadas produzidas pelos Espíritos ou viam certos objetos, existentes no aposento, mudarem de lugar.

Seu nome de vidente vem do fato de ela pressentir os perigos que ameaçam os seus; ela prevenia-os, então, e os acontecimentos justificavam sempre suas previsões.

Em 1840, produziram-se manifestações em Mottlingen (Wurtemberg) e, desde essa época, verificaram-se fenômenos de visão, de audição, de comunicação, provindos, incontestavelmente, da ação dos Espíritos. Estes fatos, posto que significativos, nenhum alcance tiveram, quando a notícia dos acontecimentos na América produziu, na Alemanha, o mesmo ruído que na França e determinou um grande movimento de opinião. Não podemos estudar minuciosamente os fatos; bastar-nos-á assinalar os homens de ciência que foram convencidos e que publicaram suas pesquisas.

O assunto foi trazido magnificamente ao tablado quando Slade fez a sua histórica visita em 1877. Depois de assistir e verificar as suas realizações, obteve em Leipzig o endosso de seis professores, que reconheciam o seu caráter de autenticidade. Foram eles Zöllner, Fechner e Scheibner, de Leipzig; Weber, de Göttigen; Fichte, de Stuttgard e Ulrici, de Halle. Como esses testemunhos tinham sido reforçados por um depoimento de Bellachini, o maior mágico da Alemanha, de que não havia possibilidade de fraude, produziu-se um efeito considerável sobre a opinião pública, que foi engrossada pela subsequente adesão de dois russos eminentes: Aksakof, homem de Estado e o Professor Butlerof, da Universidade de São Petersburgo. Entretanto, parece que o culto não encontrou um terreno adequado nesse país da burocracia e do militarismo. Executado o nome de Carl Du Prel, nenhum outro se encontra associado com as mais altas fases do movimento.

O Barão Carl Du Prel, de Munich, começou a carreira de estudioso do misticismo e, em seu primeiro trabalho(5), não trata do Espiritismo, mas antes das forças latentes do homem, os fenômenos do sonho, do transe e do sono hipnótico. Em outro tratado, entretanto, "Um Problema para Mágicos", faz um relato minucioso e raciocinado das etapas que o levaram à completa crença no Espiritismo. Nesse livro, enquanto admite que os filósofos e os homens de ciência não são os mais classificados para descobrir as fraudes, lembra ao leitor que Bosco, Houdini e Bellachini e outros ilusionistas declararam que os médiuns por eles examinados estavam acima de qualquer suspeita de impostura. Du Prel não estava contente, como muitos outros, de ter provas de segunda mão. Assim, fez um certo número de sessões com Eglinton e, mais tarde, com Eusapia Palladino. Deu especial atenção ao fenômeno da psicologia - escrita nas lousas, e assim se exprime:

"Uma coisa é clara - é que a psicologia deve ser aceita como de origem transcendente. Verificaremos: (1) Que é inadmissível a hipótese de lousas preparadas. (2) Que o lugar onde se encontra a escrita é inacessível às mãos do médium. Nalguns casos a dupla lousa é seguramente trancada e deixa internamente um pequeno espaço para um pedacinho de lápis. (3) Que a escrita é feita no momento. (4) Que o médium não está escrevendo. (5) Que a escrita deve ser feita no momento com um pedaço de lousa ou com um lápis comum. (6) A escrita é feita por um ser inteligente, de vez que as respostas são exatamente concordes com as perguntas. (7) Esse ser pode ler, escrever e entender a linguagem dos seres humanos, freqüentemente uma língua desconhecida do médium. (8) Ele se parece muito com um ser humano, tanto no grau de inteligência quanto nos enganos que comete. Assim, esses são, embora invisíveis, de natureza ou espécie humana. É inútil lutar contra essa proposição. (9) Se lhes pergunta quem são, respondem que são seres que deixaram este mundo. (10) Quando essas aparências se tornam visíveis parcialmente - talvez apenas as mãos - estas têm forma humana. (11) Quando se tornam inteiramente visíveis mostram a forma e a atitude humanas... O Espiritismo deve ser investigado como uma ciência. Eu me considerava um covarde se não exprimisse abertamente as minhas convicções."

Du Prel chama a atenção para o fato de que as suas convicções não se baseiam em resultados conseguidos com médiuns profissionais. Declara que conhece três médiuns particulares "em cuja presença não só se verifica a escrita no lado interno de duas lousas, mas que é feita em lugares inacessíveis."

"Nessas circunstâncias", diz ele duramente, "a pergunta "Médium ou Mágico?" ao que me parece, levanta mais poeira do que deve". Isto é uma observação que os pesquisadores psíquicos deviam saber de cor.

Falando das materializações, diz ele:

"Quando essas coisas se tornam inteiramente visíveis na sala escura, caso em que o médium se senta no meio do círculo formado pelos assistentes, mostram a forma e a atitude humanas. Diz-se muito facilmente que neste caso é o próprio médium que se disfarça. Mas quando o médium fala de seu lugar; quando os vizinhos que o ladeiam declaram que seguraram as suas mãos e ao mesmo tempo eu vejo a figura de pé junto a mim; quando essa figura ilumina o seu rosto na lâmpada de vácuo que se acha sobre a mesa e cuja luz não é obstáculo aos fenômenos, de modo que eu posso ver distintamente, então a prova coletiva dos fatos que descrevi me impõe a necessidade da existência de um ser transcendente, ainda quando todas as conclusões a que cheguei durante vinte anos de trabalho e estudo tenham que ser derrubadas. Mas, por outro lado, desde que meus pontos de vista, fixados na minha Filosofia do Misticismo, tomaram um outro rumo, e são justificados por estas experiências, encontro pouca base subjetiva para combater êstes fatos objetivos."

E acrescenta:

"Tenho agora a experiência empírica da existência desses seres transcendentes, da qual estou convencido pela evidência de meus sentidos da vista, do ouvido, do tato, tão bem quanto de suas próprias comunicações inteligentes. Em tais circunstâncias, levado ao mesmo desfecho por dois métodos diversos de investigação, eu devo ser abandonado pelos deuses se não reconhecer o fato da imoralidade - ou, melhor dito, desde que as provas não vão mais longe - a continuidade da existência após a morte".

Por exemplo, Hartmann não acreditou na objetividade dos fenômenos de materialização. Com muita habilidade Aksakof cita com muitos detalhes bom número de casos que, decididamente, infirmam as conclusões de Hartmann.

Refere-se Aksakof ao Barão Lazar Hellenbach, que era espírita e foi o primeiro investigador filosófico dos fenômenos na Alemanha e diz: "A afirmação de Zöllner da realidade dos fenômenos mediúnicos produziu enorme sensação na Alemanha". De vários modos parecia que Von Hartmann tivesse escrito com um imperfeito conhecimento do assunto.

A Alemanha produziu poucos grandes médiuns, a menos que Frau Anna Rothe, seja como tal classificada. É possível que ela tivesse recorrido a fraude, quando lhe faleciam as forças, mas que ela possuía tais forças em alto grau é claramente mostrado pelas provas no processo conseqüente à sua suposta "fraude" em 1902.

Depois de doze meses e três semanas de prisão, antes de ser levada ao tribunal, a médium foi condenada a oito meses de prisão e a uma multa de quinhentos marcos. No processo, muita gente de posição depôs em seu favor; entre estas pessoas se achavam Herr Stöcker, antigo Capelão da Corte, e o juiz Sulzers, presidente da Suprema Corte de Apelação de Zurique. Sob juramento o juiz declarou que Frau Rothe o havia posto em comunicação com os Espíritos de sua esposa e de seu pai que disseram coisas que à médium era impossível ter inventado, porque diziam com assunto desconhecido de qualquer mortal. Também declarou que tinham sido trazidas flores de rara qualidade para um salão inundado de luz. Seu depoimento causou sensação.

É claro que o resultado do processo era uma conclusão prévia. Foi uma repetição da atitude do juiz Howers, no caso Slade.

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(5) "Philosophy of Mysticism", 2 vols. (1889). Trans. C.C.Massey.

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