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Em
primeiro lugar, podemos citar uma das personagens mais célebres
da magistratura, o juiz Edmonds, primeiro magistrado do Supremo Tribunal
do Distrito de New York, onde foi eleito membro do corpo legislativo e
nomeado presidente do Senado. Sua conversão ao novo espiritualismo
fez grande rumor na União, e atraiu contra si uma multidão
de invectivas das folhas evangélicas e dos jornais profanos. O
juiz Edmonds respondeu-lhes com um livro intitulado: "Spirit Manifestation",
que produziu nos Estados Unidos profunda sensação, e, graças
ao auxílio de alguns homens de ciência, cujas experiências
vieram confirmar suas asserções, os quinze mil signatários
da petição dirigida ao Congresso viram o seu número
elevar-se a alguns milhões. "Em 23 de abril de 1851, diz ele, eu era uma das nove pessoas que se assentavam em torno de uma mesa colocada no meio de um aposento, e sobre a qual estava uma lâmpada acesa. "Uma outra lâmpada tinha sido colocada na chaminé. Em pouco tempo, à vista de todos, a mesa foi elevada cerca de um pé acima do soalho e sacudida para diante ou para trás, tão facilmente como eu poderia agitar uma laranja em minhas mãos. Alguns de nós tentaram fazê-la parar, empregando todas as nossas forças, mas isso foi inútil. Então, retiramo-nos todos para longe da mesa e, à luz das duas lâmpadas, vimos esse pesado móvel de mogno suspenso no ar. "Resolvi prosseguir essas experiências, julgando tratar-se de uma fraude, e decidido esclarecer o público; porém, minhas pesquisas conduziram-me a conclusão oposta." O que cumpre observar nos testemunhos concedidos pelos sábios é que todos os que empreenderam investigações sobre o Modern Spiritualism (nome norte-americano do Espiritismo) fizeram-no com a firme convicção de que se tratava de uma fraude e com o desejo de salvarem os seus contemporâneos dessa loucura contagiosa. "Eu havia, a princípio, repelido desdenhosamente essas coisas - diz o professor Mapes (que ensinava Química na Academia Nacional dos Estados Unidos) -, mas, quando vi que alguns de meus amigos estavam empolgadíssimos pela magia moderna, resolvi aplicar minha atenção a essa matéria, para salvar homens que, respeitáveis e esclarecidos sob tantos outros pontos, neste, corriam vertiginosamente para um abismo." O resultado das investigações do professor Mapes foi, como para o juiz Edmonds, uma imersão completa nas águas do Espiritismo. Aconteceu exatamente o mesmo com um dos sábios mais eminentes da América, o célebre Robert Hare, professor na Universidade da Pennsylvania. Ele começou suas pesquisas em 1853, época em que, como por um dever para com seus semelhantes, resolveu empregar o que possuía de sua influência para embargar a carreira da onda crescente de demência popular, que, a despeito da ciência e da razão, se pronunciava tão obstinadamente a favor daquela grosseira ilusão chamada Espiritismo. Robert Hare teve conhecimento dos trabalhos de Faraday sobre as mesas girantes (pesquisas que assinalaremos mais adiante) e acreditou que o sábio químico localizara a verdadeira explicação; mas, repetindo suas experiências, reconheceu que elas eram insuficientes e mandou fabricar, para completá-las, aparelhos novos. Tomou esferas de cobre, colocou-as sobre uma chapa de zinco e fez o médium pôr as mãos sobre as esferas; com grande espanto, observou que a mesa moveu-se. Em seguida, mergulhou as mãos do médium em água, de modo que ele não tivesse comunicação alguma com a prancha sobre a qual estava colocado o vaso que continha o líquido; com grande surpresa sua, uma pressão de dezoito libras foi exercida sobre a prancha. Não convencido ainda, ensaiou um outro processo: a extremidade de uma grande alavanca foi colocada numa balança de espiral, com um indicador móvel e o peso marcado. A mão do médium era colocada na outra extremidade da alavanca, de modo que não lhe fosse possível fazer pressão para baixo e que, muito ao contrário, sua pressão, se fosse exercida, produzisse efeito oposto, isto é, a suspensão a outra extremidade. Qual não foi o espanto do célebre professor quando verificou, pela balança, que o peso havia aumentado de algumas libras! Veremos, mais adiante, como em semelhante conjetura William Crookes, para se pôr ao abrigo de uma ilusão dos sentidos, construiu um aparelho que registrava automaticamente todas as variações do peso na balança. Robert Hare, convencido da existência de uma nova força física exercendo-se em condições ainda pouco conhecidas, quis certificar-se da hipótese de que uma inteligência dirigia a manifestação. Adaptou à mesa um disco em que se viam as letras do alfabeto e o dispôs de forma que o médium não pudesse ver as letras; o quadrante em que elas estavam gravadas mostrava a face aos espectadores instalados a alguma distância da mesa; na outra extremidade desta, mantinha-se o médium, que só podia ver o disco por detrás. Uma agulha móvel, fixada no centro do quadrante, devia, sucessivamente, indicar as letras das palavras ditadas, completamente ignoradas do médium. Todos estes pormenores encontram-se no livro publicado, em 1856, pelo Dr. Hare, sob o título - "Experimental Investigation of the Spirit Manifestation", o qual obteve ruidoso êxito e cujo efeito foi mais considerável ainda que o do juiz Edmonds. Não mais se tratava aí de algumas jovens obscuras ou de charlatães tentando explorar a boa-fé pública; era a ciência oficial que se pronunciava pela boca de um dos seus mais autorizados membros. Desde esse momento, a polêmica empenhou-se furiosa. Houve lutas apaixonadas. Sábios movimentaram-se contra a feitiçaria moderna, mas nenhuma prova apresentavam de que as experiências tivessem sido malfeitas; a vitória coube, portanto, aos espíritas.
Em suma, vê-se que os mais importantes recrutas do Espiritismo foram
forjados entre os homens que tencionavam combatê-lo. Não
temos necessidade de insistir neste ponto, porque o mesmo sucedeu na Inglaterra. |
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