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| Ano Novo A“Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos. Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente...” ( Carlos Drummond de Andrade,no poema TEMPO). Drummond, o grande poeta brasileiro, capta com sua sensibilidade ímpar, o sentido do Ano Novo com suas celebrações, votos renovados em torno de coisas positivas, promessas para serem cumpridas no breve futuro. O ser humano é, sem dúvida, um ser de celebração e de superação, encontrando interna e externamente, existencial e transcendentalmente as forças necessárias para empreender mudanças e criações. A esperança, conforme o mito da caixa de Pandora, permanece teimosamente entre nós, ainda que a realidade em torno nos apresente os tristes quadros da desolação e das misérias em suas múltiplas faces, fruto do egoísmo em que nos perdemos. É que, filhos da luz, somos destinados pelo amor de Deus, à felicidade e à perfectibilidade, carregando conosco as marcas do desejo do bem, do bom, do belo, do verdadeiro. É Ano Novo, é tempo de novas (ou velhas) promessas, é hora de torcer pela vida, por um mundo melhor e diferente, onde reinem a paz e a fraternidade universal. Por sinal, o ano começa – 01 de janeiro – com o dia consagrado ä fraternidade universal ou dia mundial da paz. Teimosamente, também, continuamos enquanto espécie humana, a fomentar a guerra e a nos estranharmos uns em relação aos outros, estranhamento causado em geral pelo desrespeito à liberdade do próximo e pela indiferença diante do outro que não vemos ainda como nosso semelhante. 2008 chega e com ele desejamos que as criaturas que espalham a dor e o sofrimento no jardim da vida, se cansem e entreguem os pontos, em suma, que se enfastiem da maldade e do desamor, que se renovem e encontrem sua própria humanização, sua condição de filhas de Deus. Desejamos, ainda, que as criaturas que sonham com um mundo melhor e por ele lutam, se renovem na esperança, cresçam na vontade de trabalhar pelo bem a cada dia, tornando o seu fazer o fermento de solidariedade capaz de levedar a “massa” inteira das misérias do mundo, transformando-as pelos atos de respeito e fraternidade. “Seja a diferença que você quer ver no mundo”, dizia Gandhi, a nos fustigar pela responsabilidade individual e coletiva que temos de tornar o nosso tempo, um novo tempo ou, pelo menos, um tempo em que se é capaz de acreditar e lutar por um tempo de justiça, fraternidade e paz. |